Lápis Zen

BRUCE LEE: Absorva o que é útil
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Bruce Lee (1940-1973) foi um artista marcial, ator, escritor, diretor e filósofo sino-americano, e hoje é um ícone cultural internacional. Por mais que eu ame Teddy Roosevelt, Carl Sagan e tantos outros que já trouxe a este site, Bruce Lee é e sempre será meu herói número um. Ver Lee na tela pela primeira vez foi uma experiência que mudou a minha vida (e a de milhões de outros garotos). Ali se via um cara mais cool que o James Dean, com mais graça que o Fred Astaire e mais fodão que Schwarzenegger e Stallone juntos. O fato de ele ser um asiático magrinho, que nem eu, só me atraiu mais.

Passei por uma fase Bruce Lee bem forte quando eu tinha entre 18 e 20 anos. Uma das frases de Lee diz para não “sair atrás de alguém com personalidade de sucesso e tentar duplicá-la.” Bom, me desculpe, Bruce, você é legal demais para NÃO se duplicar! Ele praticava artes marciais, eu pratiquei artes marciais. Ele fazia exercícios, eu comecei a fazer exercícios. Ele era obcecado pelo Muhammad Ali, eu fiquei obcecado pelo Ali. Ele estudou a filosofia de Jiddu Krishnamur, eu comecei a ler Krishnamurti. Ele deixou crescer um black power asiático frondoso, eu tentei ter um black power asiático (não deu certo).

A maioria das pessoas que não entendem muito de Bruce Lee só o associam aos filmes, o carinha do kung-fu com os nunchakus que grita ‘UATÁÁÁÁÁÁÁ!’ Mas Lee pode ser inspirador mesmo para quem não dá a mínima para artes marciais. Lee formou-se em filosofia e investia muito no desenvolvimento do eu, no conhecimento do eu, em motivação, em ter objetivos e tinha ambição quase patológica. Imagine o empenho para se tornar o primeiro protagonista asiático num filme hollywoodiano.

A citação ‘absorva o que é útil’ ilustra uma das principais filosofias de Lee. Durante o período em que ele treinava artes marciais, ou você era alguém do judô, ou do caratê, ou do kung-fu ou assim por diante. E se você fosse do kung-fu, você só treinava um das dezenas de estilos que existem no kung-fu (wing chun, choy li fut, hung gar etc.) Aí o aluno de caratê aprendia a dar o soco de um jeito e o aluno de kung-fu aprendia a dar o soco de outro jeito. O soco que você aprendia era o melhor e era assim que você socaria pro resto da vida. Você achava que todas as outras maneiras de lutar eram inferiores e era certo que você não treinava nem se ligava em outros estilos.

Bruce Lee achava que agir dessa forma era uma coisa imbecil. Claro que ele amava wing chun (o primeiro estilo que aprendeu), mas também gostava de como os boxeadores faziam o jab. Ele achava muito inteligente a função dos pés na esgrima. Ele entendeu a importância do abraço na luta romana. Lee pegava emprestado tudo que considerasse necessário para ser um lutador melhor. Não ficava preso a rituais, dogmas ou tradições bobas que prevaleciam em muitas escolas de artes marciais. Hoje em dia, aprender diferentes estilos de luta, ou um mix de artes marciais, é algo considerado normal.

Embora Lee estivesse falando de artes marciais, esta citação se aplica a qualquer área em que você esteja envolvido: arte, design, escrita, gastronomia, dança, cinema, fotografia, o que for. Não fique preso a um único jeito de pensar. Nunca deixe um sistema ser mais importante do que seu crescimento individual. Utilize o que for necessário para tornar-se uma pessoa melhor.

- Estilos de artes marciais no quadro 1, a partir da superior esquerda: caratê (ou judô), shaolin, muay thai, luta romana, ninjitsu, esgrima, boxe, wing chun, jiu-jitsu brasileiro, savate, caratê Cobra Kai (canalhas!), kendô, pencak silat, bak mei (Pai Mei, de Kill Bill).
- O velhinho no segundo quadro é Yip Man, o professor de wing chui que Bruce Lee teve em Hong Kong.
- No filme Jogo da Morte, Lee tinha o plano (ele morreu antes de encerrar) de fazer seu personagem lutar subindo uma pagoda de vários andares. A cada andar, ele enfrentaria alguém que representasse um estilo diferente de artes marciais. Lee usou seu famoso macacão amarelo para mostrar que não era afiliado a estilo algum (dá para ver a gravação não finalizada aqui).
- O website oficial de Bruce Lee.


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BRUCE LEE: Absorva o que é útil

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BRUCE LEE: Absorva o que é útil — Página 1

Cadastrada em:
29/06/2013

Roteiro e Arte:
Gavin Aung Than

Tradução:
Érico Assis

Letras:
Rodolfo Muraguchi

Revisão:
Fabiano Denardin



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